Envelhecimento das Fibras Elásticas | Mecanismos e Consequências

Renovação das Fibras Elásticas

As fibras elásticas, tal como todas as proteínas da matriz extracelular, têm uma longevidade considerável, medida em anos.

Esta característica expõe as fibras elásticas a um maior risco de envelhecimento molecular devido à acumulação de danos repetidos, enquanto as proteínas intracelulares duram algumas horas ou, no máximo, alguns dias.

Estima-se, por exemplo, que os tipos I e II de colagénio tenham uma vida média entre 15 e 95 anos, enquanto a semivida das fibras elásticas pode corresponder à duração da vida do indivíduo.

A síntese e a deposição de elastina estão predominantemente limitadas aos períodos fetal e pós-natal; nos adultos, pelo contrário, ocorre uma degradação do mRNA da elastina.

Danos nas Fibras Elásticas

Por este motivo, cada proteína das fibras elásticas tem de funcionar durante muitos anos e resistir à acumulação de danos provocados por ligações cruzadas mediadas pela glicose, pela deposição de lípidos e cálcio e por alterações dependentes do tempo nos resíduos de ácido aspártico.

Estes fenómenos exercem um efeito profundo na remodelação dos tecidos ricos em elastina.

Os estudos recentes sobre envelhecimento celular concentram-se na regulação e ativação das MMP, ou seja, das metaloproteases (ou metaloproteinases), cuja função consiste em degradar a matriz extracelular.

Efeito da Radiação Solar

A atividade das MMP aumenta com a exposição aos raios UV e pode catabolizar componentes das fibras elásticas, como a fibrilina-1 e a fibulina-5. Contudo, estas enzimas apresentam uma baixa especificidade pelo substrato, o que as torna menos eficazes.

Estudos confirmaram que o colagénio I resiste a alterações estruturais perante doses de UVR fisiologicamente alcançáveis, enquanto as microfibrilhas ricas em fibrilina e as ligações entre glicoproteínas e fibronectinas são profundamente alteradas pelas mesmas doses de radiação ultravioleta.

Esta diferença de sensibilidade pode dever-se à diferente composição em aminoácidos. Com efeito, as proteínas associadas às fibras elásticas, com exceção da elastina, são ricas em cromóforos UVB (Cys, His, Phe, Tyr e Trp), que absorvem estas radiações.

Pode, portanto, afirmar-se que as fibras elásticas são sensíveis à degradação direta pela radiação UV, com consequências para a homeostase do tecido.

Os processos intrínsecos e extrínsecos de envelhecimento causam uma perda de complacência e resiliência do tecido, com a consequente formação de elastose e de rugas.

Consequências

A remodelação das fibras elásticas produz, assim, efeitos bioquímicos e celulares profundos. Os fragmentos de elastina, também designados péptidos derivados da elastina ou elastocinas, podem influenciar o sistema imunitário, atuando nos linfócitos para regular a expressão da elastase e promover a apoptose, e nos monócitos para contrariar estímulos pró-inflamatórios.

Os péptidos de elastina e fibrilina-1 influenciam o fenótipo das células não inflamatórias, induzindo a expressão de MMP. Por exemplo, a elastina induz a ativação da MMP de membrana tipo 1 (MT1-MMP) e da MMP-2, enquanto a fibrilina-1 regula a expressão das MMP-1 e MMP-3.

Em última análise, todas as MMP têm capacidade para degradar as principais proteínas que compõem a MEC e os componentes da DEJ.

Estudos recentes indicam que as microfibrilhas de fibrilina também são importantes para a homeostase do tecido, porque sequestram TGFβ.

O TGFβ liga-se, no espaço intercelular, a proteínas latentes de ligação ao TGFβ, formando um complexo proteico que, por sua vez, se associa extracelularmente a microfibrilhas ricas em fibrilina.

Em conclusão, o sequestro de TGFβ, a acumulação de danos ao longo do tempo e os mecanismos de degradação celulares (MMP) e acelulares (UVR) podem influenciar profundamente a arquitetura e, consequentemente, a remodelação das fibras elásticas, produzindo também efeitos nas funções bioquímicas das moléculas.

Texto extraído da tese da Dr.ª Virginia Conti – Conceção e desenvolvimento de um tratamento cosmecêutico antienvelhecimento para medicina estética – Licenciatura em Ciências e Tecnologias dos Produtos de Ervanária, Dietéticos e Cosméticos. Universidade de Ferrara. Orientadora: Prof.ª Silvia Vertuani. Coorientador: Prof. Stefano Manfredini.
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Envelhecimento cutâneo