Ginástica Facial | Funciona? Exercícios e Conselhos

O que é?

A ginástica facial consiste numa série de exercícios específicos para o rosto que exigem a contração dos músculos faciais.

Segundo os defensores desta prática, treinar adequadamente estes músculos permitiria melhorar a aparência do rosto, definir os contornos e reduzir alguns sinais visíveis do envelhecimento, como a flacidez facial.

Inúmeros livros e sítios Web prometem resultados extraordinários, mas as provas científicas são escassas e a eficácia da ginástica facial assenta sobretudo em relatos anedóticos.

Ainda assim, o interesse continua elevado, e surgem periodicamente pequenos dispositivos concebidos para exercitar os músculos do rosto.

Curiosidade: existem 43 músculos faciais, a maioria controlada pelo sétimo nervo craniano, também chamado nervo facial. Estes músculos desempenham funções essenciais no quotidiano, incluindo a mastigação e as expressões faciais.

Como funciona?

A alegada eficácia da ginástica facial baseia-se na hipertrofia, ou aumento do volume, dos músculos do rosto estimulada pelo exercício.

Tal como os restantes músculos do organismo, os músculos faciais podem responder ao treino aumentando de volume.

À medida que hipertrofiam e passam a ocupar mais espaço, tracionam a pele e ajudam a preencher o volume facial, o que pode conferir uma aparência mais lisa e jovem.

Os exercícios também podem estimular a regeneração dos tecidos ao favorecer localmente a circulação sanguínea e uma drenagem mais eficaz dos resíduos metabólicos.

Por fim, a ginástica facial poderá ajudar a reduzir depósitos de gordura localizados no rosto.

Este ponto é controverso. Durante muito tempo, a investigação sustentou que a chamada «redução localizada de gordura» não existe e que a perda de gordura é generalizada, nunca específica de uma única zona 1, 2, 3, 4.

No entanto, a experiência empírica, algumas considerações fisiológicas e certos estudos sugerem que a perda de gordura pode ser maior nas áreas próximas dos músculos mais solicitados pelo exercício 5, 6.

Funciona?

Os exercícios faciais são geralmente praticados para melhorar a aparência do rosto, combater os sinais de envelhecimento e aumentar a força muscular 7.

Contudo, a investigação clínica sobre a sua eficácia é limitada.

Uma revisão de 2014 concluiu que as provas científicas eram insuficientes para determinar a eficácia da ginástica facial no rejuvenescimento. Apesar de alguns resultados positivos, os estudos analisados apresentavam limitações metodológicas importantes, que reduziam a fiabilidade das conclusões 8.

Uma revisão sistemática mais recente observou aumentos das propriedades mecânicas e da elasticidade da pele do rosto e do pescoço, da espessura e da área transversal dos músculos faciais e do volume das maçãs do rosto superiores e inferiores 11.

Devido ao baixo nível de evidência, serão necessários ensaios cuidadosamente controlados e com amostras adequadas para confirmar estes efeitos 11.

Eficácia no rejuvenescimento facial

Um estudo mostrou que a realização de exercícios para os músculos faciais duas vezes por dia durante oito semanas aumentou a espessura muscular e promoveu o rejuvenescimento facial 9.

Outro estudo incluiu 27 mulheres, dos 40 aos 65 anos, com fotodano e atrofia facial ligeira a moderada 10.

No início, cada participante realizou duas sessões de formação de 90 minutos com um instrutor de ioga especificamente preparado para ensinar a técnica correta.

Durante as primeiras oito semanas, as participantes fizeram a rotina de ginástica facial todos os dias. Nas 12 semanas seguintes, praticaram em dias alternados.

Foram tiradas fotografias no início, na oitava semana e no final do estudo. Dois dermatologistas avaliaram-nas através de escalas padronizadas de envelhecimento facial para estimar a idade aparente de cada participante.

A idade média estimada era de 50,8 anos no início, desceu para 49,6 na oitava semana e, na 20.ª semana, para 48,1, ou seja, quase três anos menos do que no início do estudo.

As participantes mostraram-se muito satisfeitas e referiram melhorias significativas em 18 de 20 características faciais.

Outros autores relataram que os exercícios aumentavam a hipertrofia dos músculos faciais, tornando-os mais fortes e curtos e deixando a pele sobrejacente mais firme e elástica. Foi também observada uma relação direta entre o aumento da força muscular facial e a melhoria da elasticidade cutânea 13.

Efeitos na saúde mental

Segundo uma revisão sistemática de 7 estudos experimentais, o exercício voluntário dos músculos faciais pode ajudar a melhorar os sintomas depressivos e o humor e a reduzir o stress crónico 12.

Contudo, devido à baixa qualidade dos estudos, são necessários mais dados para confirmar os benefícios de um programa de exercícios faciais para a saúde mental.

Existem efeitos secundários?

Entre os diferentes tipos de rugas, as chamadas rugas de expressão são geralmente as primeiras a surgir no rosto dos adultos jovens.

Estas linhas, mais ou menos profundas, resultam das contrações repetidas dos músculos faciais durante a fala ou a expressão de emoções.

Inicialmente temporárias, as rugas de expressão tendem a tornar-se permanentes à medida que as contrações se repetem.

Manifestam-se sobretudo na testa, entre as sobrancelhas, na região nasolabial e na zona periocular, onde formam os chamados pés de galinha.

Os tratamentos mais adequados são os que relaxam os músculos excessivamente contraídos responsáveis pela ruga, incluindo a toxina botulínica e ingredientes cosméticos com efeito semelhante, como a Argireline.

Por este motivo, a ginástica facial poderá, em determinadas circunstâncias, favorecer o aparecimento de rugas de expressão.

Para reduzir este risco, a técnica de execução é fundamental. Muitos exercícios recomendam manter a pele das áreas sensíveis — testa, contorno dos olhos e dos lábios — esticada com os dedos enquanto se contraem voluntariamente os músculos subjacentes.

Exemplos de exercícios

A ginástica facial pode incluir numerosos exercícios, dirigidos a diferentes áreas do rosto e a problemas estéticos específicos.

Como não se trata de um método cientificamente validado, não é possível definir com precisão quais exercícios executar, durante quanto tempo e com que frequência.

Por isso, existe uma ampla margem para a experiência individual e para a adaptação da rotina.

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