O que é
A glicina é o mais pequeno dos 20 aminoácidos que formam as proteínas do corpo humano.
Pequena em tamanho, mas não em importância, a glicina desempenha funções:
- estruturais, como componente de proteínas e péptidos;
- reguladoras, como componente de coenzimas e neurotransmissores.
No organismo, atua, por exemplo, como neurotransmissor, componente do colagénio e precursor de várias biomoléculas, como creatina, grupo heme e glutationa.
A suplementação com glicina mostrou efeitos positivos em pessoas com doenças psiquiátricas, como esquizofrenia. Em pessoas saudáveis, os possíveis benefícios incluem melhoria do sono, redução da fadiga diurna e melhor resposta à insulina. 1
Curiosidade
A glicina foi isolada pela primeira vez em 1820, através da hidrólise ácida da gelatina.
Verificou-se que é tão doce como a glucose; o nome deriva, por isso, da palavra grega glykys, que significa doce.
Alimentos ricos em glicina
A glicina é classificada como aminoácido não essencial, porque pode ser produzida pelo organismo humano.
Contudo, em determinadas condições, a síntese endógena pode tornar-se insuficiente, razão pela qual é por vezes considerada um nutriente semiessencial.
Em média, um adulto sintetiza cerca de 3 gramas de glicina por dia e obtém aproximadamente mais dois gramas através dos alimentos. 1
A glicina está presente na maioria das fontes proteicas. Entre as fontes habituais encontram-se carne, ovos, soja, lentilhas e lacticínios.
O colagénio, incluindo gelatina, é a fonte alimentar mais rica em glicina, que representa cerca de 25% a 30% do seu peso. Isto explica a elevada concentração deste aminoácido na pele de porco e em produtos ricos em tecido conjuntivo.
De forma geral, qualquer alimento proteico, de origem animal ou vegetal, fornece alguma quantidade de glicina.
Pele e beleza
A glicina desempenha um papel essencial na síntese proteica, especialmente na síntese de colagénio.
A glicina é o aminoácido mais abundante no colagénio. O colagénio é uma proteína estrutural importante para a saúde e a beleza da pele, das articulações e dos ossos. 2
A capacidade da glicina para apoiar a síntese de colagénio pode contribuir para o bom funcionamento dos ossos e das articulações, ajudando a contrariar alterações degenerativas associadas à idade, como a artrose. 3
A suplementação com glicina também poderá trazer benefícios para o aspeto da pele.
Estudos e benefícios
Embora a glicina isolada não tenha sido diretamente testada, vários estudos mostraram que o aporte adicional através de suplementos de colagénio melhora significativamente a elasticidade e a hidratação da pele. 4, 5
A suplementação com colagénio, na dose diária de 0,2 g/kg de peso corporal, também reduziu danos cutâneos de fotoenvelhecimento induzidos por radiação UVB. 6
Mulheres que tomaram 2,5 gramas de péptidos de colagénio por dia durante 4 semanas apresentaram uma redução significativa de 20% nas rugas do contorno dos olhos. 7
Outro ensaio aleatorizado e controlado, realizado em 66 participantes, avaliou glicina, prolina e hidroxiprolina na proporção 3:1:1 — 5 g + 1,7 g + 1,7 g — juntamente com alfa-cetoglutarato, 1 g, astaxantina, 4 mg, e vitamina C, 48 mg provenientes de 150 mg de sumo de acerola.
Após três meses, observaram-se melhorias nas características da pele e uma redução da idade biológica de 1,33 anos nas mulheres e 1,48 anos nos homens. Na pele, melhoraram a elasticidade, a hidratação e a textura, mas não as rugas. 9a
Em contexto clínico, a suplementação com colagénio hidrolisado quase duplicou a velocidade de cicatrização de úlceras cutâneas em 89 doentes. Em modelos animais de diabetes também foram registadas melhorias importantes na cicatrização de feridas. 8 9
Os possíveis benefícios da glicina para a pele também estão relacionados com a sua capacidade de facilitar a cicatrização. 9
Num estudo realizado em 89 pessoas com diabetes, a velocidade de cicatrização das úlceras cutâneas quase duplicou. 8
Utilização em cosméticos
Como referido, a glicina — INCI: Glycine; sinónimo: Glycocoll — é um componente fundamental da tripla hélice do colagénio.
É também o aminoácido presente em maior quantidade no NMF, o fator natural de hidratação da pele.
O NMF é uma mistura de substâncias hidrossolúveis e higroscópicas que ajuda a reter água nas camadas superficiais da pele e a captar parte da humidade ambiental.
A glicina apresenta-se como um pó branco, inodoro e solúvel em água.
Possui propriedades:
- hidratantes;
- antioxidantes;
- favoráveis à regeneração das feridas.
É, por isso, utilizada em cosméticos hidratantes e antienvelhecimento.
É especialmente indicada em produtos para pele seca e com pouca elasticidade.
Alguns estudos sugerem uma possível aplicação em produtos reguladores da melanogénese com ação despigmentante. 10, 11
Nos cosméticos, é normalmente utilizada em concentrações entre 0,5% e 2%.
A aplicação tópica de glicina em combinação com cisteína e treonina melhorou significativamente a cicatrização de úlceras nas pernas e reduziu a dor. 12
A glicina é considerada um ingrediente cosmético seguro e bem tolerado.
Saúde
A glicina é necessária para a síntese de vários péptidos importantes para a saúde.
Destaca-se a sua presença na estrutura de:
- glutationa, um potente antioxidante que protege as células dos danos oxidativos provocados pelos radicais livres, envolvidos no desenvolvimento de muitas doenças; 13
- creatina, que fornece energia aos músculos para esforços rápidos e breves, como levantamento de pesos e sprint; a suplementação com creatina pode aumentar o tamanho, a força e a potência muscular; 14, 15, 16
- grupo heme, componente central da hemoglobina responsável pelo transporte de oxigénio no sangue;
Estudos em seres humanos e animais sugerem que a suplementação com glicina poderá:
- melhorar a sensibilidade à insulina e a saúde metabólica, reduzindo o stress oxidativo e a inflamação; 17, 18, 19, 20, 21, 22
- ajudar a combater perturbações do sono; 23, 24, 25, 26
- favorecer a recuperação após um acidente vascular cerebral; 27, 28
- ajudar pessoas com esquizofrenia ou outras perturbações mentais, incluindo depressão e perturbação obsessivo-compulsiva; 29, 30, 31, 32, 33, 34
- proteger o fígado contra os danos causados pelo etanol. 35, 36
Em modelos animais, a administração de glicina prolongou a vida de Caenorhabditis elegans até 33% 37, 38, a dos ratos em cerca de 20% 39 e a dos ratinhos em 6% 40.
Dose
A dose oral habitualmente sugerida ronda os 3 gramas por dia.
Efeitos secundários
Em quantidades elevadas, a glicina por via oral pode causar sintomas gastrointestinais, incluindo náuseas e dor abdominal.
Outro possível efeito é uma ligeira sedação e sonolência. Por esse motivo, pode ser preferível tomá-la à noite.
A suplementação oral com glicina não é aconselhada em caso de diarreia, pois pode agravar a situação e dificultar a reidratação. 65





