Criolipólise | Benefícios, Preço, Resultados e Efeitos Secundários

O que é

A criolipólise é um tratamento de medicina estética que permite reduzir a gordura localizada através da utilização do frio.

A criolipólise é uma alternativa não invasiva à lipoaspiração: não danifica a pele nem os tecidos circundantes, não provoca dor, não deixa cicatrizes e permite retomar as atividades normais imediatamente após o tratamento.

Durante a criolipólise, as baixas temperaturas provocam a cristalização das gorduras armazenadas nas células adiposas; daí resulta a lise celular e a reabsorção gradual das gorduras nelas contidas.

O doente pode começar a observar os primeiros efeitos de redução do tecido adiposo ao fim de 3 semanas, enquanto benefícios mais evidentes podem surgir entre 1 e 4 meses.

A criolipólise utiliza um equipamento específico que atua em regiões determinadas do corpo, danificando as células adiposas sem lesar as outras estruturas anatómicas presentes na área tratada.

Após o tratamento, é habitual surgir na área submetida a criolipólise uma vermelhidão transitória e uma sensação de maior sensibilidade, que desaparecem no espaço de algumas horas.

Para que serve

Uma alimentação saudável e a prática regular de exercício físico ajudam a perder o excesso de peso, mas nem sempre são suficientes para eliminar acumulações de gordura resistentes.

Nestes casos, podem ser úteis técnicas médicas não invasivas ou minimamente invasivas de modelação corporal, como a mesoterapia, a criolipólise e a intralipoterapia, incluindo a crio-slurry, que consiste na injeção de uma mistura de partículas de gelo numa suspensão líquida biocompatível diretamente no tecido adiposo-alvo.

Para quem está indicada

Particularmente adequada para adiposidades localizadas, a criolipólise não deve ser considerada uma solução para perder um excesso de gordura generalizado.

A criolipólise não está indicada em doentes obesos, mas funciona bem em pessoas com adiposidades localizadas e poucas ou nenhumas variações do peso corporal.

Com efeito, os resultados da criolipólise são mais visíveis em doentes com acumulações moderadas de gordura localizada e são menos satisfatórios em doentes obesos 1.

Imperfeições tratadas

A criolipólise é adequada para zonas do corpo com adiposidades localizadas difíceis de combater apenas com alimentação e exercício físico.

Está particularmente indicada para reduzir a gordura abdominal e as almofadas adiposas localizadas nos flancos, costas, face interna e externa das coxas, joelhos e culotes.

A criolipólise pode, portanto, tratar adiposidades localizadas nas seguintes zonas:

  • abdómen superior e inferior;
  • face interna e externa das coxas;
  • flancos, ou “pneus”;
  • braços;
  • zona do queixo, ou papada;
  • gordura junto ao soutien e nas costas;
  • zona lombar;
  • área sob as nádegas, ou banana roll;
  • áreas peritrocantéricas, ou culotes;
  • face interna do joelho.

O dispositivo CoolSculpting está atualmente autorizado pela Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos para o tratamento das coxas, abdómen, flancos, parte superior e inferior das costas, zona superior das coxas/inferior das nádegas, braços e área submentoniana. Nesta última zona, a FDA alargou a autorização à melhoria do aspeto dos tecidos flácidos da região submentoniana.

Entre as utilizações off-label, a criolipólise demonstrou também poder tratar com sucesso doentes com ginecomastia ou pseudoginecomastia e ajudar a definir e melhorar o aspeto dos músculos abdominais 2, 3.

Como funciona

A criolipólise baseia-se na maior sensibilidade ao frio dos tecidos ricos em lípidos, comparativamente com os tecidos circundantes ricos em água, como a epiderme, a derme e os músculos.

O tecido adiposo é menos irrigado pelo fluxo sanguíneo. Além disso, as gorduras têm um ponto de congelação mais elevado do que a água, como se observa quando os óleos cristalizam a baixas temperaturas.

Com o arrefecimento induzido pela criolipólise, formam-se cristais de gelo no interior das células adiposas.

Esta cristalização é seguida de lesão celular, com lise espontânea e gradual das células adiposas, que são fagocitadas e libertam as gorduras que continham.

O equipamento de criolipólise foi desenvolvido para atuar exclusivamente nas células adiposas, sem danificar as restantes estruturas anatómicas da região tratada. Esta tecnologia também não traumatiza os nervos nem os ossos da zona.

Para onde vai a gordura?

A gordura “congelada” pela criolipólise começa a perder as suas funções vitais ao fim de três dias.

Nos 15-60 dias seguintes, as células já inativas são reabsorvidas pelos glóbulos brancos (macrófagos), que intervêm como parte da resposta natural do organismo à lesão.

Os resíduos celulares necróticos são eliminados naturalmente através do sistema linfático.

As gorduras também são reabsorvidas pela circulação linfática e enviadas para o fígado, onde são metabolizadas para produzir energia.

Os lípidos anteriormente contidos nos adipócitos são metabolizados e eliminados pelo organismo no prazo de cerca de 4 meses após o tratamento. A redução da camada adiposa na área tratada pode situar-se aproximadamente entre 20-26%. No entanto, os primeiros resultados clínicos podem já ser visíveis 1 mês após o tratamento 2.

Resultados

Quanta gordura se perde?

Esta tecnologia demonstrou reduzir até 25% do volume da gordura subcutânea após um único tratamento 4.

Um estudo de 2009 realizado em dez participantes submetidos a criolipólise observou uma redução da camada de gordura na área tratada:

  • 20,4% após 2 meses do tratamento;
  • 25,5% após 6 meses do tratamento 5.

Uma revisão refere que, embora os resultados variem consideravelmente consoante a zona tratada e o desenho do estudo, a redução média do tecido adiposo na área tratada varia entre 14,67% e 28,5% 6.

Grau de satisfação

Mais recentemente, um estudo multicêntrico retrospetivo indicou que 86% de 518 participantes apresentaram melhorias 7.

As zonas em que a criolipólise foi mais eficaz foram o abdómen, as costas e os flancos. De acordo com o questionário de satisfação preenchido pelos doentes, 73% declararam estar satisfeitos e 82% estavam dispostos a recomendar a criolipólise a um amigo.

Num relatório sobre a experiência clínica e comercial com a criolipólise, apenas 6 de 528 doentes ficaram insatisfeitos com o resultado clínico; 4 desses 6 doentes declararam-se satisfeitos depois de uma segunda sessão 8.

Quanto duram os resultados?

Os resultados da criolipólise deverão durar indefinidamente, porque as células adiposas destruídas pelo frio não voltam a formar-se.

Contudo, se a pessoa aumentar significativamente de peso após o tratamento, poderá voltar a acumular gordura na área ou nas áreas tratadas.

Num pequeno estudo de caso com 2 participantes, a documentação fotográfica mostrou que, 2 e 5 anos após o procedimento, a redução da gordura se manteve, apesar das flutuações do peso corporal 9.

Preço

O preço da criolipólise depende da dimensão e localização da área a tratar, bem como do resultado pretendido.

O tratamento de áreas pequenas, como a parte superior do abdómen ou o queixo, requer um aplicador mais pequeno e tem um preço relativamente reduzido (500-800 euros).

As áreas maiores, como a região abdominal, requerem um aplicador maior e podem custar até 1.500 euros.

O preço médio de um procedimento em várias áreas pode ultrapassar 2.000 euros.

Tratamento

Os dispositivos de criolipólise, como o CoolSculpting, estão geralmente equipados com aplicadores intercambiáveis para se adaptarem às diferentes áreas de tratamento. Cada aplicador contém placas de arrefecimento termoelétricas e, na maioria dos casos, um sistema de sucção a vácuo.

Esta combinação ajuda a congelar o tecido-alvo, mantendo-o firmemente preso e reduzindo o fluxo sanguíneo na área a tratar.

Outro dispositivo, denominado Polarys, utiliza ciclos alternados de aquecimento e arrefecimento, com base na hipótese de que promovem uma formação mais rápida de cristais e a consequente destruição das células adiposas 10.

A recente introdução de um método injetável de criolipólise (crio-slurry) oferece novas possibilidades de utilizar de forma inovadora a redução da gordura induzida pelo frio. Como referido, o método consiste na injeção de uma mistura de partículas de gelo numa suspensão líquida biocompatível diretamente no tecido adiposo-alvo, com uma agulha e uma seringa.

Preparação

A preparação para a criolipólise não exige cuidados especiais.

Recomenda-se apenas uma limpeza cuidadosa da área a tratar, evitando a aplicação de cremes ou outros produtos cosméticos.

Durante o tratamento

O aparelho de criolipólise dispõe de manípulos com formas e dimensões diferentes, específicos para as várias zonas do corpo.

O doente permanece deitado numa marquesa.

Antes de ligar o aparelho, o médico ou o seu assistente coloca sobre a área a tratar uma compressa embebida num gel refrigerante específico.

Em seguida, o operador posiciona um aplicador de silicone sobre a zona. Este funciona como uma grande ventosa, aspirando a prega de gordura a tratar e assegurando uma aderência perfeita da área ao equipamento.

O aparelho arrefece então a superfície da pele de forma controlada, baixando a temperatura da zona até -5/-8°C.

Ao fim de cerca de 45 minutos, o aplicador é retirado e a área tratada é limpa; nessa altura, apresenta-se deformada e fria ao toque.

Uma evolução da criolipólise alterna baixas temperaturas com ciclos de aquecimento, facilitando a cristalização dos lípidos nos adipócitos 11. Esta técnica é designada criolipólise por contraste térmico.

Imediatamente após o tratamento, o médico pode massajar a área tratada. Considera-se que esta massagem imediata melhora os resultados ao aumentar a lesão de reperfusão 12.

É dolorosa?

Durante a criolipólise, os doentes podem sentir tensão, picadas, formigueiro e frio intenso, mas o procedimento é geralmente bem tolerado e não requer anestesia nem medicação analgésica.

A massagem após o tratamento também pode causar algum desconforto.

Outro problema relativamente frequente é a dor de início tardio, que surge 2 semanas após o procedimento e geralmente desaparece sem intervenção.

Após o tratamento

No final da criolipólise, que dura cerca de 40 minutos por zona, a área tratada apresenta-se inicialmente mais compacta, firme e ligeiramente avermelhada.

À medida que os minutos passam e a temperatura regressa ao normal, estes efeitos desaparecem rapidamente.

Apenas em alguns casos pode persistir uma ligeira dor ou uma sensação de dormência local, associadas a um pequeno edema, que desaparecem ao fim de poucos dias.

Como os nervos cutâneos também são afetados pelo arrefecimento tópico, a maioria dos doentes refere uma perda temporária de sensibilidade no local tratado. Este fenómeno é reversível e resolve-se espontaneamente em 6-8 semanas 13.

Após a criolipólise, é possível retomar imediatamente as atividades quotidianas.

Número de sessões

Durante cada sessão, só pode ser tratada uma zona de cada vez.

Consoante a profundidade do tecido adiposo e a redução de gordura pretendida, podem ser suficientes um ou dois tratamentos com um intervalo de 2-4 meses.

As sessões repetidas na mesma área devem ser separadas por pelo menos 8 semanas, para permitir a resolução do processo inflamatório 14.

Quando é necessário tratar várias zonas, as sessões podem ser programadas com um intervalo de 15 dias.

Em qualquer caso, será o médico a indicar os tempos e os intervalos recomendados entre as várias sessões.

Embora seja possível obter bons resultados nos flancos com um único tratamento, as costas e a face interna e externa das coxas requerem frequentemente mais de dois tratamentos 8.

Contraindicações

A criolipólise é geralmente contraindicada em pessoas:

  • com problemas hepáticos, uma vez que o funcionamento adequado do fígado é necessário para eliminar as células adiposas lesadas pela criolipólise;
  • com síndrome de Raynaud;
  • portadoras de pacemaker ou de outros dispositivos cardíacos;
  • com uma forma grave de diabetes.

Outras contraindicações podem incluir 15:

  • urticária ao frio ou reação alérgica ao frio;
  • crioglobulinemia ou hemoglobinúria paroxística ao frio;
  • hipoproteinemia;
  • coagulopatia ou hemorragias e equimoses excessivas;
  • utilização de medicamentos anticoagulantes;
  • gravidez ou amamentação;
  • febre;
  • processo infecioso grave;
  • cicatrizes ou hérnia na zona a tratar;
  • qualquer doença cutânea na zona a tratar, por exemplo uma ferida aberta, lesões cutâneas extensas como eczema, dermatite, psoríase ativa ou pele hipersensível ou frágil na área de tratamento;
  • doenças crónicas com repercussões funcionais, como insuficiência cardíaca, hepática e/ou renal;
  • doenças autoimunes de âmbito dermatológico ou reumatológico, como lúpus eritematoso sistémico com manifestações cutâneas, esclerodermia ou síndrome de Sjögren;
  • neuropatias periféricas decorrentes de doença autoimune, como esclerose múltipla, alterações metabólicas, como diabetes grave, infeções ou neuropatia tóxica;
  • utilização de medicamentos que afetam o sistema imunitário e comprometimento imunitário, como no VIH;
  • trombose venosa profunda, tromboflebite ou varizes ativas;
  • qualquer cirurgia estética ou médica que envolva a área de tratamento, ou ausência de cicatrização completa, nos 6 meses anteriores ao tratamento;
  • antecedentes de tumores, neoplasia ativa ou recente sob tratamento farmacológico;
  • lesões cutâneas pré-cancerosas ou neoplasias na área de tratamento;
  • procedimentos com fillers sintéticos, como silicone, na área de tratamento prevista ou numa zona adjacente.

Efeitos secundários

Os efeitos secundários esperados são mínimos e geralmente limitam-se a vermelhidão temporária e dormência transitória.

  • A área tratada pode ficar dorida, inchada e vermelha durante algumas horas após o tratamento. Excecionalmente, podem surgir pequenas equimoses associadas ao processo de sucção.
  • Também podem ocorrer alterações da sensibilidade na zona tratada, como formigueiro e dormência, que podem durar até 8 semanas.
  • Foram ainda referidas outras sensações, como comichão intensa, formigueiro, sensibilidade ao toque, dor na zona afetada e sensação de dor muscular.

Outros possíveis efeitos secundários incluem 15:

  • redução não homogénea da zona tratada, que cria uma espécie de depressão na silhueta;
  • sensação de cansaço com estado febril, que pode persistir durante cerca de 24 horas;
  • dor na zona tratada durante 7 a 10 dias, eventualmente acompanhada de inflamação;
  • excecionalmente, desmaio ou lesão superficial associada ao efeito da congelação e hiperpigmentação pós-inflamatória transitória na zona tratada.

Hiperplasia adiposa paradoxal (HAP)

Em casos muito raros, a criolipólise pode provocar um aumento do volume das células adiposas nas partes do corpo tratadas.

Esta condição, denominada hiperplasia adiposa paradoxal (HAP), é um efeito secundário raro da criolipólise.

Nesta situação, nas semanas seguintes ao procedimento, a área tratada aumenta em vez de diminuir, deixando uma massa indolor, visivelmente aumentada, firme e bem delimitada sob a pele.

Este efeito secundário afeta menos de 1% dos doentes 16, a maioria dos quais opta por tratamentos alternativos, como a lipoaspiração tradicional.

Uma revisão multicêntrica de 2021, realizada em 2114 doentes submetidos a 8.658 ciclos de criolipólise, verificou que nove doentes (0,43%) desenvolveram HAP 17.

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