O que é e para que serve
O colagénio é a proteína mais abundante no corpo humano, onde representa o principal componente estrutural do tecido conjuntivo.
Cerca de 30% da massa proteica total dos mamíferos é constituída por colagénio 1.
Os tecidos conjuntivos têm sobretudo funções de preenchimento, sustentação, elasticidade e proteção.
Estes tecidos estão amplamente representados em todo o organismo, sobretudo ao nível dos tendões, ligamentos, pele, cartilagem, tecido adiposo e ossos.
Ao nível dos tecidos conjuntivos, o colagénio confere resistência e suporte estrutural, formando o arcabouço da matriz extracelular.
As fibras de colagénio têm “uma resistência à tração superior à de um fio de aço com a mesma secção transversal” e suportam “mais de dez mil vezes o seu próprio peso” 12.
| Tecido | Teor de colagénio (% do peso em relação ao peso do tecido seco) 12a, 12b, 12c |
| pele | 70-80% |
| tendão | 60-80% |
| cartilagem | 60-70% |
| ossos | 25-35% |
| músculo esquelético | 2-6% |
Existem muitos tipos de colagénio
O termo colagénio abrange umaampla família de proteínas estruturais com características comuns.
Enquanto nos anos 70 a comunidade científica falava de apenas 4 tipos de colagénio geneticamente distintos, atualmente a superfamília do colagénio inclui até 28 membros (29 segundo alguns autores) 1.
Síntese e Estrutura
Os Fibroblastos produzem Colagénio
O tecido conjuntivo é caracterizado por células de forma irregular (denominadas fibroblastos) dispersas numa matriz extracelular.
Os fibroblastos são responsáveis pela síntese de colagénio e dos outros componentes da matriz extracelular.
O que é a matriz extracelular?
A matriz extracelular é uma espécie de rede que liga as células entre si, proporcionando suporte e permitindo a interação recíproca.
A matriz extracelular é composta por:
- proteínas fibrosas: colagénio, elastina e fibronectina;
- substância fundamental (substância amorfa, com aspeto gelatinoso): inclui macromoléculas chamadas proteoglicanos, que se associam a longas cadeias de ácido hialurónico.
Fibras de Colagénio
A composição aminoacídica do colagénio é atípica em comparação com outras proteínas do organismo, sobretudo devido aoelevado teor de hidroxiprolina (que não se encontra noutras proteínas), glicina e prolina.
Na sua sequência de aminoácidos encontramos o motivo repetido “Gly-X-Y”, em que Gly é a glicina (o aminoácido mais pequeno da natureza) e X e Y são frequentemente prolina (Pro) e hidroxiprolina (Hyp).
Estas sequências de aminoácidos organizam-se para formar cadeias polipeptídicas levógiras (as chamadas cadeias α de colagénio), compostas por cerca de 1.000 aminoácidos.
Três destas cadeias enrolam-se umas nas outras numa estrutura helicoidal dextrógira.
Forma-se assim a estrutura básica das fibras de colagénio, denominada tropocolagénio, que corresponde a uma molécula de tripla hélice (~1,5 nm de diâmetro e ~300 nm de comprimento), composta por três cadeias proteicas α.
Todos os tipos de colagénio contêm pelo menos uma tripla hélice. Alguns tipos de colagénio organizam-se ainda em microfibrilhas e/ou fibrilhas.
Nos colagénios mais comuns na natureza, as moléculas de tropocolagénio auto-organizam-se com um desfasamento de 1/4 para formar microfibrilhas (~3,6 nm de diâmetro), que são posteriormente agrupadas em fibrilhas de colagénio (com 10 a 500 nm de diâmetro).
As fibrilhas agregam-se depois para formar fibras (com 1 a 20 µm de diâmetro), e assim sucessivamente.
O comprimento das fibrilhas pode atingir alguns décimos de µm, enquanto as fibras podem estender-se até alguns milímetros.
Nos mamíferos, o tecido mais típico resultante deste processo de organização é o tendão, que é composto por fibrilhas de colagénio altamente ordenadas.


Tipos de Colagénio
O colagénio encontra-se em todo o corpo e, consoante a região, pode apresentar características diferentes.
De facto, o corpo humano contém pelo menos 28 tipos diferentes de colagénio e ainda mais genes associados à sua síntese 2.
Entre todos os tipos de colagénio, podem distinguir-se 5 tipos principais no corpo humano:
- Tipo I
- Tipo II
- Tipo III
- Tipo IV
- Tipo V
Colagénio Tipo 1
Representa 90% do colagénio do organismo e é constituído por fibras densamente compactadas.
Confere estrutura à pele, aos ossos, tendões, cartilagem fibrosa, tecido conjuntivo e dentes.
Está também presente no tecido cicatricial, no tecido muscular (no endomísio das miofibrilhas) e nas cápsulas dos órgãos.
Colagénio Tipo 2
O colagénio tipo 2 é constituído por fibras mais largas e encontra-se na cartilagem hialina.
Flexível e de cor branco-azulada, a cartilagem hialina é o tipo de cartilagem mais comum no corpo humano. Encontra-se, por exemplo, nas costelas, no nariz, na traqueia, nos brônquios e na laringe.
Além disso, a cartilagem hialina reveste as superfícies articulares.
A matriz extracelular da cartilagem articular possui uma arquitetura altamente especializada:
- a zona superficial é constituída principalmente por fibras de colagénio tipo 2 alinhadas paralelamente à superfície articular, para resistir às forças de cisalhamento;
- a zona profunda é constituída pelas mesmas fibras de colagénio, mas alinhadas perpendicularmente à interface óssea para absorver as cargas de compressão.
Colagénio Tipo 3
Este tipo de colagénio sustenta a estrutura de órgãos ocos, como os grandes vasos sanguíneos, o útero e o intestino.
Encontra-se também em muitos outros tecidos juntamente com o colagénio tipo I.
Colagénio Tipo 4
Encontra-se sobretudo ao nível da lâmina basal.
A lâmina basal é uma fina camada presente nos tecidos epiteliais. A sua função consiste em fornecer suporte celular e tecidular, ancorando o epitélio ao tecido conjuntivo laxo subjacente.
Ao nível da pele, por exemplo, a membrana basal separa a epiderme da derme subjacente. Neste local, a lâmina basal funciona também como filtro para a passagem de moléculas com elevado peso molecular.
Colagénio Tipo 5
Este tipo de colagénio encontra-se na junção dermoepidérmica, nos tecidos placentários, nas superfícies celulares e no cabelo.
Colagénio na Pele
A derme humana é constituída por cerca de 80% de colagénio tipo I e 20% de colagénio tipo III 3, 4:
- O colagénio tipo I é responsável pela resistência e integridade da derme
- O colagénio tipo III permite a distensibilidade da derme
O envelhecimento provoca não apenas uma acentuada redução do colagénio cutâneo total, mas também uma alteração da sua composição.
O colagénio tipo III representa 50% do colagénio na derme da pele neonatal, mas apenas 5% do colagénio na pele adulta envelhecida 11.
Fontes de Colagénio
Na natureza, o colagénio encontra-se exclusivamente em fontes animais (não existe colagénio vegetal).
Em geral, é obtido a partir de subprodutos do abate (por exemplo, ossos, pele, espinhas, etc.).
Consoante a origem, distinguem-se diferentes tipos de colagénio:
- colagénio marinho (ou colagénio de peixe), de origem piscícola;
- colagénio bovino;
- colagénio suíno;
- colagénio de frango.
Em cada uma destas fontes predominam determinados tipos de colagénio.
Deve, contudo, considerar-se que o tipo de colagénio varia não só consoante a espécie, mas também de acordo com a parte do animal da qual é extraído.
Por exemplo, na pele bovina ou na pele de porco predomina o colagénio tipo 1, enquanto na cartilagem articular predomina o colagénio tipo 2.
| Fonte de Colagénio | Tipos de Colagénio Predominantes |
| Colagénio Bovino | Tipo 1 e 3 |
| Colagénio Suíno | Tipo 1 e 3 |
| Colagénio de Peixe | Tipo 1 |
| Colagénio de Frango | Tipo 2 |
| Colagénio de Cartilagem Bovina ou Suína | Tipo 2 |
Que Colagénio Escolher?
Como vimos, considera-se que os vários tipos de colagénio têm funções bastante específicas no organismo.
Por conseguinte, poderiam ser tomados diferentes tipos de colagénio para obter benefícios específicos.
Em geral:
- as fontes ricas em colagénio tipo 1, como o colagénio de peixe, são preferidas para a beleza da pele;
- as fontes ricas em colagénio tipo 2, como o colagénio de frango, são preferidas para a saúde das articulações.
Importa, contudo, considerar que esta separação dos efeitos não é assim tão nítida; pelo contrário, é sobretudo ditada por razões de marketing.
Por exemplo, o colagénio obtido da pele de peixe (que contém sobretudo colagénio tipo 1 e 3) parece ser eficaz e seguro também no tratamento da dor aguda e da rigidez associadas à artrose do joelho, ajudando a reduzir o uso de analgésicos 5. O mesmo se aplica ao colagénio de pele bovina (também rico em colagénio tipo 1 e 3), que num estudo com 160 doentes demonstrou ser uma opção segura e eficaz para o controlo sintomático da artrose 5a.
Para descobrir qual é a melhor fonte de colagénio, leia o nosso artigo: Colagénio | Peixe, Porco, Bovino, Frango | Qual Escolher?
Diferenças entre os vários tipos de suplementos
Em geral, os colagénios presentes nos suplementos são intensamente hidrolisados.
A sua digestão leva à absorção final de péptidos bioativos (como hidroxiprolina-glicina e prolina-hidroxiprolina), que são idênticos independentemente da origem 6.
Contudo, o teor destes péptidos bioativos pode variar consoante o grau de hidrólise, as técnicas de hidrólise utilizadas e, sobretudo, a fonte de origem do colagénio.
Um estudo analisou e comparou a composição de aminoácidos de 3 tipos diferentes de colagénio. Verificou que, no colagénio do tendão de Aquiles bovino, o teor de hidroxiprolina era 30% superior ao do colagénio marinho (de pele de peixe). No colagénio ósseo, por sua vez, a quantidade de hidroxiprolina era 2 vezes superior à do colagénio de peixe 1.
De modo geral, outros estudos confirmam que o colagénio de peixe tem um teor de prolina e hidroxiprolina inferior (cerca de 15-30%) ao dos colagénios de mamíferos 1, 16.
Outro estudo identificou e mediu os diferentes tipos de péptidos bioativos no sangue humano após a ingestão de colagénio tipo 1 hidrolisado proveniente de escamas de peixe, pele de peixe ou pele de porco.
Os autores verificaram que a quantidade e a estrutura dos péptidos que continham hidroxiprolina dependiam da fonte de colagénio ingerida 16. Além disso, cerca de 30% da hidroxiprolina total no sangue encontrava-se incorporada em estruturas peptídicas (sobretudo no péptido prolina-hidroxiprolina).
Uma vez que a quantidade de péptidos bioativos pode variar entre os vários tipos de colagénio, é preferível escolher suplementos com matérias-primas certificadas e provas de eficácia sustentadas pela literatura científica. Exemplos incluem Verisol ®, Peptan ® e BioCell Collagen ®.
Colagénio nativo tipo 2
Relativamente ao colagénio tipo 2, importa referir que existem no mercado suplementos de colagénio nativo, um tipo de colagénio não desnaturado pertencente sobretudo ao segundo tipo.
Este colagénio parece atuar de modo diferente do colagénio hidrolisado.
| Colagénio nativo | Colagénio hidrolisado | |
| Doses recomendadas | 10-40 mg/dia | 1-10 g/dia |
| Mecanismo de ação | Reduz os danos articulares através de uma ação anti-inflamatória mediada pela tolerância oral | Estimula a síntese de colagénio pelos fibroblastos cutâneos e articulares |
| Solubilidade | Baixa | Elevada |
Neste caso, entre as matérias-primas certificadas, destaca-se UC-II®, um extrato patenteado obtido do esterno de frango.
Aprofundamento:
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