O Que É
A luz intensa pulsada (IPL ou terapia por impulsos intensos de luz) é um procedimento utilizado por profissionais das áreas médica e estética para realizar vários tratamentos da pele.
Consoante o caso, o tratamento pode ter objetivos terapêuticos ou estéticos.
Por exemplo, a luz pulsada pode ser utilizada para remover ou reduzir a visibilidade de:
- manchas senis;
- sardas;
- marcas de nascença;
- varizes;
- vasos sanguíneos rompidos ou dilatados;
- acne rosácea;
- sinais de fotoenvelhecimento;
- pelos terminais (no rosto, pescoço, costas, axilas, braços, pernas e região inguinal).
Esta tecnologia utiliza lâmpadas de flash (e não laser) para produzir flashes de luz de alta intensidade.
Além dos equipamentos profissionais, existem aparelhos para epilação doméstica baseados nesta tecnologia, que devem ser utilizados seguindo atentamente as instruções de utilização.
Em geral, os doentes com pele escura (fotótipo superior ao III) ou bronzeados apresentam um maior risco de efeitos secundários, sobretudo cicatrizes pós-inflamatórias e discromias (alterações da cor da pele na área tratada).
Além disso, de forma geral, a luz pulsada não é eficaz na redução do crescimento de pelos brancos, ruivos e louros.
Como Funciona
A terapia com luz intensa pulsada (IPL) foi desenvolvida pela primeira vez em 1992 para tratar as telangiectasias das pernas. Em 1995, foi colocado no mercado o primeiro dispositivo IPL aprovado pela FDA.
Esta tecnologia utiliza um flash potente controlado por computador, capaz de emitir um impulso de luz intenso, visível e de banda larga (400-1.400 nm).
A emissão da lâmpada é então dirigida para a extremidade distal da peça de mão, que por sua vez liberta o impulso de energia sobre a superfície da pele através de uma safira ou de um bloco de quartzo.
Através de filtros óticos, é possível tornar esta emissão mais seletiva, orientando-a para cromóforos específicos, como a melanina e a hemoglobina.
Por exemplo, na epilação com luz pulsada, os filtros selecionam comprimentos de onda entre 700 e 1.000 nm.
Para cada imperfeição existe, portanto, um comprimento de onda específico, ideal para o alvo a atingir.
Esse alvo é designado cromóforo e, consoante o caso, pode ser:
- a melanina, para as lesões pigmentadas e a epilação;
- a oxi-hemoglobina, para as lesões vasculares.
As células do cromóforo atingido absorvem a energia da luz pulsada, que é convertida em calor, induzindo a chamada fototermólise seletiva.
Consoante o caso, a fototermólise pode envolver:
- a termólise do folículo piloso, impedindo e/ou atrasando o crescimento do pelo;
- a destruição da melanina das camadas profundas da epiderme, eliminando ou atenuando as manchas cutâneas;
- a fotocoagulação dos pequenos vasos que alimentam a imperfeição vascular.
A ampla gama de comprimentos de onda utilizados permite tratar numerosas doenças e/ou imperfeições cutâneas. Além disso, as dimensões variáveis das peças de mão permitem tratar também áreas relativamente extensas do rosto ou do pescoço.
Além do comprimento de onda, uma vasta gama de outros parâmetros do tratamento — incluindo a duração do impulso, os intervalos entre impulsos, a fluência e o tempo de atraso do impulso — pode ser personalizada na maioria dos dispositivos, conferindo ao procedimento maior versatilidade e precisão.
Utilização como tratamento antienvelhecimento
No que diz respeito ao fotorejuvenescimento, a luz pulsada é regulada para gerar calor controlado nas camadas profundas da pele.
Esse calor induz uma lesão térmica, que estimula a ação reparadora dos fibroblastos da derme , com consequente produção e remodelação de colagénio e elastina.
Os benefícios obtidos, visíveis no aumento do tónus e da suavidade da pele, persistem ao longo do tempo, em média durante dois anos.
Laser ou Luz Pulsada?
Embora utilize uma fonte luminosa diferente da do laser, a luz pulsada tem indicações muito semelhantes.
É, de facto, utilizada no tratamento de discromias, rosácea, melasma, acne, fotodanos, lesões vasculares e pigmentadas, bem como de rugas, além de ser utilizada em procedimentos de epilação.
Apesar de não ser propriamente um laser, a luz pulsada tem as mesmas indicações dos principais lasers dermatológicos atualmente utilizados.
Em particular, a luz pulsada pode substituir a utilização de lasers não ablativos (saiba mais sobre os tipos de laser utilizados em dermatologia).
A luz pulsada é um procedimento não ablativo, uma vez que o amplo espectro de luz penetra na camada mais profunda da pele sem danificar a epiderme (ao contrário do que acontece com os lasers ablativos de CO2 ou de érbio).
A principal diferença entre as duas tecnologias prende-se com o amplo espectro de comprimentos de onda abrangido pela luz pulsada, enquanto os lasers são mais seletivos.
Enquanto um laser concentra um comprimento de onda muito específico sobre a pele, a IPL liberta luz de muitos comprimentos de onda diferentes, como um flash fotográfico. Em termos técnicos, ao contrário do laser, a luz pulsada não é coerente, não é monocromática e não é focalizada.
Um único equipamento de luz pulsada pode, portanto, ser utilizado em vários domínios, desde o tratamento de lesões vasculares cutâneas, alterações da pigmentação e fotorejuvenescimento até ao tratamento do hirsutismo e da hipertricose (epilação com luz pulsada).
Para os lasers, pelo contrário, são necessárias fontes específicas para cada imperfeição.
A luz pulsada também pode utilizar peças de mão de grandes dimensões para tratar facilmente áreas bastante extensas. No entanto, ao mesmo tempo existem dificuldades operacionais no tratamento de zonas anatómicas (por exemplo, pequenas áreas do rosto) que apresentam superfícies irregulares, côncavas ou convexas (devido à dificuldade em fazer aderir perfeitamente a peça de mão à pele).
Vantagens e desvantagens da luz pulsada em comparação com o laser
| Tratamento com Laser | Luz Pulsada | |
| Extensão do Tratamento | Adequado para áreas específicas e bem delimitadas | Adequado também para áreas extensas; menos adequado para áreas irregulares |
| Número de sessões necessárias | Inferior | Superior |
| Custo | Mais elevado por sessão, mas deve considerar-se que, em geral, são necessárias menos sessões | Inferior, sobretudo quando é necessário tratar áreas extensas |
| Garantia do resultado | Superior | Inferior (são necessárias mais sessões) |
| Tipo de Pele | Alguns lasers também são adequados para peles escuras | Geralmente não indicada para pessoas com pele escura |
Para Que Serve
A ampla gama de comprimentos de onda emitidos pelo equipamento permite utilizar a luz pulsada numa grande variedade de aplicações clínicas, com poucos riscos de efeitos secundários.
Por estes motivos, mesmo doenças particularmente difíceis de tratar, como os quistos pilonidais e os queloides, podem beneficiar desta tecnologia.
A luz pulsada (IPL) demonstrou ser eficaz no tratamento de algumas lesões vasculares, em particular do rosto e do pescoço (telangiectasias isoladas, hemangiomas cavernosos, rosácea, poiquilodermia de Civatte).
Efélides, senis e lentigos solares estão entre os muitos exemplos de lesões pigmentadas tratadas com sucesso com IPL.
A luz pulsada também é apreciada pelo seu efeito benéfico sobre o fotoenvelhecimento.
Além disso, é conhecida do grande público pela sua utilização naepilação (remoção «permanente» dos pelos corporais).
Indicações aprovadas pela FDA
A Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou a luz pulsada para: 1:
- telangiectasias,
- fotorejuvenescimento,
- rugas faciais,
- hiperpigmentação,
- lentigos,
- efélides,
- melasma,
- rosácea,
- acne vulgar,
- poiquilodermia de Civatte,
- manchas vinho do Porto,
- hemangiomas,
- veias dilatadas das pernas,
- malformações venosas,
- remoção de pelos indesejados.
A luz pulsada foi recentemente introduzida também na oftalmologia para controlar a doença do olho seco causada por disfunção das glândulas de Meibomius 2.
Fotorejuvenescimento
O fotorejuvenescimento é um tratamento da pele que utiliza laser, luz intensa pulsada ou terapia fotodinâmica para melhorar o tónus e a textura da pele, reduzir as rugas e, simultaneamente, atenuar discromias, elastose e telangiectasias.
No caso da luz pulsada, são geralmente necessárias várias sessões e, sobretudo, é preciso ter 3-6 meses de paciência para apreciar plenamente os benefícios do tratamento.
Para combater os sinais de envelhecimento estão também disponíveis outras modalidades de tratamento: preenchimentos, toxina botulínica, mesoterapia, microdermoabrasão e radiofrequência.
Muitas vezes, os melhores resultados são obtidos através de uma abordagem combinada, utilizando várias técnicas.
Funciona?
A eficácia da luz pulsada já foi demonstrada por numerosos trabalhos científicos, pela sua ampla utilização clínica e pela procura crescente por parte dos doentes.
Contudo, os resultados obtidos com IPL estão fortemente relacionados com a experiência do operador.
As séries de casos descritas na literatura são extremamente variadas e discordantes, tanto quanto aos equipamentos e parâmetros de trabalho utilizados como às modalidades de tratamento, sendo por isso difícil falar em percentagens de sucesso 3.
A título indicativo, 6 meses após a última de 3 sessões de luz pulsada na área do contorno dos olhos, separadas por intervalos de um mês, observou-se uma melhoria excelente em 3 doentes (9,1%), considerável em 7 (21,2%), moderada em 9 (27,3%), ligeira em 9 (27,3%) e mínima ou inexistente em 5 (15,1%) 4.
Quatro doentes (12,1%) declararam-se insatisfeitos com o tratamento, enquanto 17 (51,5%) referiram satisfação moderada a considerável com o rejuvenescimento obtido através da luz pulsada.
Outro estudo comparativo avaliou a eficácia da radiofrequência, da luz intensa pulsada e da carboxiterapia no rejuvenescimento cutâneo de 60 doentes com rugas faciais. Tanto as avaliações instrumentais como a satisfação subjetiva atribuíram maior eficácia à IPL, seguida da carboxiterapia e, por último, da radiofrequência 5.
Segundo uma revisão de 16 estudos, com um total de 637 participantes, o tratamento com luz pulsada é eficaz no rejuvenescimento cutâneo. Em particular, os resultados da maioria dos estudos analisados demonstraram a eficácia do tratamento sobre telangiectasias, rugas, poros dilatados, eritema, rugas, textura, lentigos, hiperpigmentação e pontuação de fotoenvelhecimento 6.
Epilação
A epilação com luz pulsada proporciona uma boa redução da densidade dos pelos corporais.
Contudo, está sujeita a limitações e os resultados são variáveis de doente para doente.
Antes de mais, os flashes destas lâmpadas favorecem o contraste. Por este motivo, são particularmente eficazes quando a pele é clara e os pelos são muito escuros.
Os pelos de grande diâmetro e muito pigmentados constituem um bom alvo para a luz pulsada, pelo que se podem esperar melhores resultados. Pelo contrário, pelos finos e claros não constituem um bom alvo para o feixe de luz pulsada.
Como explicado anteriormente, os raios luminosos dos epiladores de luz pulsada atingem a melanina do pelo (presente em maior quantidade nos pelos escuros), que sofre um forte aumento de temperatura. Este calor é depois transmitido ao bulbo piloso, que fica gravemente danificado.
Consequentemente, os pelos caem e voltam a crescer mais fracos ou não voltam a crescer.
O folículo piloso na fase anagénica (de crescimento) é o mais sensível a este tratamento, uma vez que a haste contém a maior quantidade de melanina.
Funciona?
Em geral, a epilação com luz pulsada é satisfatória para a maioria das pessoas; de facto, mesmo uma redução não definitiva dos pelos resolve frequentemente durante bastante tempo (semanas ou meses) o desconforto estético.
Por conseguinte, embora não assegure uma depilação verdadeiramente definitiva, a luz pulsada tende a melhorar significativamente o «problema estético», libertando os doentes da lâmina e da dependência da cera.
Contudo, há muitas exceções e, tendo em conta as variáveis envolvidas, não é possível prever com certeza a percentagem de eficácia, o número de tratamentos e a duração da alopecia entre tratamentos. Por exemplo, algumas áreas, como o dorso das mãos ou os dedos, não respondem bem ao tratamento.
A título indicativo, são necessárias pelo menos 4 sessões para obter um benefício evidente. Em geral, os tratamentos são repetidos após cerca de 30-60 dias, aumentando progressivamente o intervalo entre sessões até vários meses.
É, de qualquer modo, difícil, se não impossível, «prever» o número de tratamentos e a eficácia da epilação com luz pulsada, devido aos muitos fatores que devem ser avaliados.
Os resultados são considerados bons quando se obtém uma redução dos pelos de 70-80%, enquanto os restantes 20-30% se transformam em pelos finos (penugem).
Segundo uma revisão de 5 estudos RCT (num total de 223 doentes), a redução média dos pelos a longo prazo seria de 7:
- 30 a 73,61% para o laser Nd:YAG,
- 35 a 84,25% para o laser de alexandrite;
- 32,5 a 69,2% para o laser de díodo;
- 27% a 52,7% para a luz pulsada.
Em geral, observou-se uma maior redução a longo prazo nas zonas do corpo com ciclos de crescimento piloso mais longos (por exemplo, pelos das pernas ou axilas em comparação com os pelos faciais).
No que diz respeito aos dispositivos domésticos de epilação com luz pulsada, estes são geralmente menos eficazes do que os tratamentos profissionais com laser ou dispositivos IPL de maior energia. Por isso, são normalmente necessários mais tratamentos para obter um resultado satisfatório 8.
Síndrome do olho seco
Segundo uma revisão sistemática e meta-análise, a terapia com luz intensa pulsada melhorou vários sintomas da doença do olho seco, tanto isoladamente como em combinação com outras terapias 9.
Estes resultados são apoiados por outra meta-análise 10. Contudo, ambos os estudos concordam que são necessárias provas mais robustas provenientes de estudos bem controlados, uma vez que a maioria dos estudos incluídos apresentava baixa qualidade metodológica.
Como se Realiza
Embora o tratamento seja relativamente doloroso, pode ser realizado sem anestesia.
Tratar a pele com cremes anestésicos tópicos uma hora antes do procedimento ajuda a aliviar um pouco o desconforto, mas nem sempre é necessário.
Cada tratamento prevê a aplicação de um gel transparente antes do início, sendo importante proteger os olhos com óculos específicos.
Número de Sessões
Em geral, são necessários 3-6 tratamentos, consoante as características clínicas do doente e a imperfeição.
Preparação
- Nas duas semanas anteriores ao procedimento, evitar a exposição ao sol ou a solários. Evitar também os peelings químicos e suspender a eventual utilização de cremes autobronzeadores. Não utilizar sauna, banho turco e evitar a exposição a qualquer outra fonte de calor.
- Antes e depois do tratamento, evitar a aplicação de perfumes, desodorizantes ou outros cosméticos potencialmente irritantes na área a tratar
- Evitar aspirina, medicamentos anti-inflamatórios e suplementos que possam interferir com a coagulação (como ómega-3, ginkgo, vitamina E, alho), devido ao maior risco de hemorragia. Consultar o médico.
- No dia do procedimento, a pele deve estar limpa e sem maquilhagem, sobretudo se for pigmentada.
No caso de se submeter a um tratamento de epilação com luz pulsada, recomenda-se:
- Nas 4-6 semanas anteriores ao tratamento, não depilar com cera e/ou pinça nem utilizar luva de crina; não descolorar os pelos.
- Rapar os pelos com lâmina 1-3 dias antes do tratamento, procurando traumatizar o menos possível a pele para evitar que já esteja irritada antes da sessão.
Após o Procedimento
- Evitar aplicar maquilhagem ou loções na área tratada durante 24 horas ou até desaparecerem todos os sinais de irritação.
- Aplicar uma boa loção hidratante na zona tratada duas vezes por dia durante todo o período de tratamentos e durante pelo menos três meses após o tratamento final.
- Evitar a utilização de água quente nos dias seguintes ao tratamento. Lavar a pele com água fria/morna.
- Utilizar uma proteção solar (SPF 50+) a aplicar todas as manhãs durante todo o período dos tratamentos e durante pelo menos três meses após o tratamento final.
Custo – Preço
Em comparação com os lasers, os equipamentos de luz pulsada têm a vantagem de serem menos delicados, menos dispendiosos, mais fáceis de transportar e de gerarem pontos de vários centímetros quadrados (permitindo tratar grandes superfícies em menos tempo).
O custo do tratamento é sempre discutido com o médico e depende da extensão das imperfeições a tratar.
Segundo as estatísticas da American Society of Plastic Surgeons, em 2018, nos Estados Unidos, o custo médio de um tratamento com luz pulsada foi de 391 dólares 11.
A isto devem acrescentar-se os custos dos produtos solares e das loções prescritos pelo médico nos meses após o tratamento.
Efeitos Secundários
Embora os efeitos secundários da IPL sejam geralmente raros e de gravidade mínima, os acontecimentos adversos mais comuns incluem dor e eritema no local tratado.
Outros efeitos secundários possíveis incluem edema, bolhas, hematoma, formação de crostas, hiper/hipopigmentação, leucotriquia, cicatrizes, formação de queloides e infeções 12.
Vermelhidão
A área tratada pode ficar vermelha e irritada durante 4-8 horas ou mais após o tratamento. Normalmente desaparece após algumas horas e melhora com arrefecimento e, eventualmente, com cremes anti-inflamatórios.
O eritema (vermelhidão da pele) é o efeito indesejado mais comum e desenvolve-se em todos os tipos de tratamento com luz pulsada (100% dos doentes).
Ardor
É possível sentir uma ligeira sensação de ardor, semelhante a uma queimadura solar ligeira na área tratada. Esta sensação costuma diminuir no espaço de 4-6 horas. Compressas frias ou panos húmidos podem ser aplicados para reduzir o desconforto.
Se prescrito pelo médico, um creme à base de betametasona e gentamicina aliviará a sensação de ardor, combatendo a inflamação e as foliculites.
Edema
Oedema (inchaço) é outro efeito secundário muito comum; quase sempre surge de forma transitória (durante poucas horas), mas por vezes, sobretudo na zona periocular, pode persistir durante 2-3 dias. A compressão fria pode acelerar a sua resolução.
Outros Efeitos Secundários
Se a luz pulsada for utilizada para tratar manchas hiperpigmentadas ou para fotorejuvenescimento, pode observar-se também um ligeiro descolamento da pele que leva à formação de microvesículas que evoluem para «pequenas crostas» (como numa queimadura solar intensa no verão). Inicialmente, as manchas apresentam-se mais escuras.
Se a luz pulsada for utilizada para epilação, podem surgir pequenas áreas puntiformes de inchaço ao nível dos folículos pilosos: isto corresponde ao resultado da explosão do pelo no folículo, com consequente lesão do próprio folículo.
Para minimizar estes fenómenos, o doente deverá aplicar na pele um creme calmante e hidratante durante algumas semanas após o tratamento.
Herpes
Foi demonstrado que a luz intensa pulsada pode induzir a reativação do vírus herpes simplex (HSV) no rosto ou nos órgãos genitais e ativar o HSV latente no gânglio trigeminal 12.
Por conseguinte, em doentes com antecedentes de infeção por Herpes simplex, pode justificar-se uma terapêutica antiviral profilática (por exemplo, com aciclovir, valaciclovir ou famciclovir), iniciada um dia antes do tratamento IPL e mantida até duas semanas depois 13, 14.
Discromias Cutâneas
Existe ainda a possibilidade — sobretudo se as áreas tratadas não forem devidamente protegidas dos raios solares — de ocorrer uma hiperpigmentação ou uma hipopigmentação da pele.
Os fotótipos escuros (IV-V) e a pele bronzeada apresentam sempre um risco mais elevado de efeitos secundários. Nestes indivíduos, as discromias, sobretudo as hipopigmentações, são frequentes. Em geral são transitórias, mas podem demorar vários meses a resolver-se, causando desconforto significativo ao doente.
Contraindicações
As sessões de tratamento com luz pulsada são relativamente seguras e toleráveis.
Contudo, pode ser útil evitar a luz pulsada em algumas pessoas, como as que sofreram recentemente uma queimadura solar e as mulheres grávidas ou a amamentar.
De forma mais geral, o tratamento com luz pulsada pode estar contraindicado em doentes que:
- tomam retinoides (medicamentos para a acne) ou os tomaram nos últimos 6 meses;
- têm um tom de pele escuro;
- se bronzearam recentemente ou, pior ainda, têm queimaduras solares;
- foram recentemente submetidos a esfoliação ou peelings profundos;
- tiveram recentemente um surto de herpes na área a tratar;
- estão grávidas ou a amamentar;
- tomam medicamentos potencialmente fotossensibilizantes;
- sofrem de diabetes;
- têm determinadas doenças da pele (por exemplo, vitiligo) ou doenças autoimunes como lúpus;
- tomam medicamentos anticoagulantes, como cardioaspirina, anti-inflamatórios não esteroides, Coumadin, Sintrom, etc.;
- têm tendência para formar cicatrizes;
- têm pacemaker ou pinos ou placas metálicas cirúrgicas sob a pele da área a tratar.





